7 de julho de 2011

Por onde andei...

Tem gente que diz assim: “Percorrer os mesmos caminhos uma segunda vez é perda de tempo”
Parei para pensar sobre isso, tendo eu percorrido muitas vezes os mesmos caminhos. Nunca é justo escutar algo e simplesmente descartar como papel de bala. Nem mesmo o papel de bala é tão efêmero que não se possa ter sobre ele um olhar mais atento.
Acontece que, dadas as circunstâncias, refletir sobre essa coisa de perder o tempo se fez necessário. Não que eu esteja com os dias contados (até porque não sei fazer essa conta), mas ninguém se interessa por caminhos que não vão levar a lugar algum.
Penso que se o percurso é bom e belo, aonde ele vai te levar não é exatamente o que importa. “Levo para passear os meus sentidos” diz Rubem Alves. E não é isso que vale a pena? Mesmo que por um caminho repetido. E isso se estende por diversos corredores da alma.
Acredito que existem crenças demais que nos impedem de repetir um erro. Mas nem tudo que fazemos na vida, e que nos cause dor ou pena, é estritamente um erro. Somos impelidos a pensar assim. Se você se machucou por determinado caminho, nunca mais ouse passar por lá!
Veja bem. É justo pensar assim se durante tal caminho você experimentou muito mais sentimentos que a dor? Quero dizer, não há nada que enaltece esse caminho?
Pois tudo muda com o decorrer do tempo. Tudo é mutável, indeterminado e com diversas visões diferentes. Permitir-se atravessar o mesmo caminho em diferentes perspectivas é questão de sabedoria. De aprendizado mesmo. Porque ainda não inventaram nada mais educativo que o tempo, e as experiências que este nos proporciona.
Entendo da seguinte forma: tenho medo dos meus medos. E isso basta para que os mantenha a distância. É difícil me desfazer deles. Mas e se, ao invés de apenas teme-los, eu os acordasse com mais cuidado? Com muito mais atenção? Talvez perdessem sua essência de medo, e sendo mutáveis (e não mais mutantes) tornasse-iam experiências. E eu ganharia um dedinho a mais de sabedoria da vida.
O que é bom é sempre fácil. O ruim é só isso e ponto. Mas vale a tentativa de tornar o que faz mal em coisa boa, para não perder da vida tudo que ela oferece. Afinal, estamos todos com os dias contados, e nada é perda de tempo.