8 de julho de 2011

Sobre o seu olhar com ternura...

Romantismo. Sim, ele veio me visitar nos últimos dias. Quero dizer apenas, de antemão, que isso não se trata de estar apaixonado, de viver um grande amor ou ser saudosista da infância, como eram os grandes autores Românticos.
Romantismo, como um apelo para se viver um toque a mais. Para que se aproveite com mais exatidão aquele momento de prazer. Para se degustar uma presença calorosa como se fosse o doce mais gostoso de Minas Gerais.
Conheci uma nova escritora que me fez sentir assim, Romântico. Daquele jeito que nos faz enxergar como é gostoso passar o inverno com mãos que possam aquecer. Pronto, dito isso já me sinto meio ridículo, sonhador e coisa e tal.
Mas acreditem, é bom. Porque aqui em São Paulo, onde moro e onde amo, há um ar parisiense nessa época do ano. Deixe-me explicar melhor. Estive ontem em um centro cultural, cheio de árvores, gente tocando violão, cafés borbulhantes e fumaça nas bocas. Era noite, e estava realmente frio. Quando sinto frio, a ponta do meu nariz se avermelha, e tenho certeza que ganho jeito de cachorro pidão. E a luz, sob as árvores, e o violão, e as palavras que ouvi não me deram outra opção. Voltei com Romantismo nas veias.
Fiquei pensando então que, de certa forma, o inverno pede isso da gente. Não é uma estação para se estar sozinho. É para passar em grupo, comendo aquele fondue nojento, caminhando e levando para passear os nosso olhos. O inverno É para se apaixonar, mesmo que pelos nossos amigos.
Digo isso porque costumo ouvir que amores passageiros se dão no Verão. Pois digo que não! Amores efêmeros se dão entre o outono e o inverno, quando nosso peito pede calor. No verão não existe amor. Pode ter encanto, tesão, paixão, volúpia! Pode ter tudo, menos amor passageiro. O inverno vem cheio de vontade de abraçar, de beijar, de se acolher! Ah, como é bom o simples pensamento de compartilhar umas horas de frio!
E que belo não é uma árvore pela qual se pode ter compaixão! Porque elas, árvores, passam o inverno inteiro nuas em pêlo! Como que incitando-nos a voltar pra casa, tirar a roupa e se aquecer da forma mais natural que existe: a dois! Penso então que o inverno também combina com jazz. Combina com voz rasgada, baixinha e ao pé do ouvido, dizendo assim: “I wish I could lay down beside, when the day is done...”
O inverno combina com Romance, e para que não se estrague esse momento de inspiração, deixo assim declarado o inverno como estação para se apaixonar.
Mesmo que venha a primavera logo depois, cheia de fertilidade e criação, fica no inverno a lembrança do momento mais íntimo de nós. Que assim seja...


Felipe, nesse frio do cacete...

Um comentário:

  1. Bom eu durmi na metade do poema , mais parece que e interessante !!!!!

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