29 de outubro de 2011

Não Aceitamos Devolução



Estive pensando em termino de relação. Não que eu esteja vivendo esse momento, mas pessoas próximas de mim estão. E isso envolve a todos, mesmo aqueles que nunca ao menos estiveram em contato com os dois lados da moeda. Terminar um relacionamento requer, acima de tudo, paciência. Virão momentos de tristeza, de alívio, de ponderação e até mesmo pontadas de raiva. Mas não há hora pior do que a devolução.
Deveria ser um ultraje, ou algo parecido. Pelo menos eu desejo assim: todas as coisinhas, presentes, fotos, cartas e bibelôs postos em uma ou duas caixas (ou sacos de lixo, pra ser mais dramático). Depois, um olhar de desapontamento e um adeus definitivo. E aquele segundo de silêncio que diz nas entrelinhas “Nada de você têm utilidade pra mim”. Pronto, está terminada a devolução.
E logo em seguida, cabe a cada um seu período de reciclagem. Vão se desempacotando as coisas, redescobrindo tudo e acobertando o resto. Aquele cd ficou pra trás. A correntinha de ouro e o camafeu não valem mais nada. E a aliança, bom, melhor penhorar. Mas os sentimentos ficam presos... Ficam pendurados nas orelhas, como brincos. E ali, sussurram os erros, os acertos, os bons e os maus momentos. E assim permanecem, por mais tempo do que deveriam. Afinal, os sentimentos não podem ser devolvidos, ou não?
Talvez essa seja a solução. A devolução e a reciclagem se estendem aos sentimentos acumulados durante o relacionamento. Precisam ser dedilhados, revisados e reutilizados ou descartados. Cada tesouro que se perde fica com um gosto de perda mesmo. E esse azedume é que incomoda. Não pelo fato de perder algo, mas por nunca mais tê-lo. Bom, no final, é preciso tomar ciência daquilo que não queremos perder, pra poder encontrar em outra pessoa, em outro momento. Porque reciclado, o sentimento também fica novo.
Desse modo, o que sobra é o que não faz falta. O ronco perturbador vai pro lixo com a foto na beira da praia. A voz infantilizada é rejeitada junto ao anjinho de porcelana. O que era só enfeite vai embora com os defeitos. E o que fica, é novo e pertence. É resiliência, como ferro fundido que se transforma em espada.

 Felipe... "Nada do que foi será de novo do jeito qe já foi um dia..."

Um comentário:

  1. Nossa Fê, vc conseguiu traduzir perfeitamente o pós término!... E sabe, é exatamente no momento da devolução q percebemos q realmente acabou!

    Aguardo ansiosa o próximo post ;)

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